quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

1ª FASE...OK!



A 1ª parte da preparação do Mitsu para 2011 está concluida!

As pinturas estão feitas e o "burro" já parece outro. Agora seguem-se cenas do próximo capítulo, que é como quem diz a revisão mecânica e a preparação para a parte de asfalto do Campeonato Open.

Até já...

Um abraço.

A.Neves

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL!!!


O pessoal aqui de casa, deseja um SANTO NATAL e um ÓPTIMO 2011 para todos.
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Um abraço.
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A.Neves

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

AOS POUCOS...




Aos poucos... a coisa vai-se compondo. Depois de pintadinho por dentro até já parece outro.
Mais um pouco e passamos a outra fase.

Quanto ao cachecol, bem... , só espero que simbolize para nós, o começo de uma época igual áquela que "o Glorioso" teve há um ano (apesar de estar de cabeça para baixo :-) ).
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Um abraço.
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A.Neves

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ANOTHER DAY...





Mais um dia que se passou a preparar o Evo...

Desta vez, contámos com a ajuda do António Filipe "Pica", meu grande amigo e o Homem que me preparou as minhas motos durante os últimos anos.

Para ele também o meu obrigado.

Um abraço.
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A.Neves

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

PREPARAR 2011









Apesar de a próxima época não estar ainda totalmente confirmada, há que começar a avançar com a preparação do carro conforme o planeamento feito, uma vez que não nos podemos arriscar a deixar passar o "timing" para que tudo esteja pronto a tempo e horas.
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Assim sendo, e porque o orçamento ainda não está totalmente definido, nada melhor do que meter mãos á obra, para ganhar tempo e também alguns €€€ e avançar com aquilo que podemos ser nós a fazer antes do carro avançar para uma profunda revisão mecânica antes da 1ª prova (que para nós, se correr tudo como previsto, será o Rali de Barcelos).
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Resta-me apenas dizer que, se não fosse a GRANDE ajuda do meu amigo Luis, ele sim com mais competência para a mecânica (que o diga o "nosso" AX das 24 horas que ele ressuscitou pelo menos aí uma dúzia de vezes...), uma vez que eu não passo de um mero ajudante de 2ª :-) , nenhum deste trabalho seria possível, pelo que, desde já aqui ficam os meus mais sinceros agradecimentos á sua disponibilidade e motivação.
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Um abraço.
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A.Neves

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A PROVA DOS "DUROS"...

24 horas TT Vila de Fronteira, um evento que ao longo dos anos construiu a reputação de ser uma prova demolidora para homens e máquinas, um verdadeiro teste á resistência de ambos, ou seja:
-Uma verdadeira prova dos "duros"...

Ora bem, depois da verdadeira epopeia que foi a participação com um Nissan Micra de troféu nesta prova, em 2006 e onde apesar dos percalços por que passámos após termos sido abalroados por uma pick-up que nos levou literalmente metade da viatura, termos conseguido terminar na 2ª posição da promoção B, este ano voltamos á carga.

Mas porque somos "duros" (eu chamar-lhe-ia antes MASOQUISTAS :-) , mas enfim...) e porque não ficámos satisfeitos com a "esfrega" que levámos no Micra, aqui estamos novamente, eu e o Filipe, embora desta vez respondendo ao gentil convite do Diogo, que é o dono da "máquina", completando o quarteto, o Eduardo, outro amigo de Campo Maior, que tal como o Diogo, nem eu nem o Filipe conhecíamos antes, para estar uma vez mais á partida desta prova; Um evento bastante "sui generis" e que se tornou rápidamente uma referência das provas de resistência TT, não só no nosso País, mas também a nível mundial, conforme se pode comprovar pelo número de equipas estrangeiras, especialistas neste tipo de provas, presentes.

Ah! Mas falta o melhor, pois com tanta conversa ainda não vos disse qual a máquina em que vamos participar, pois não? Bem..., em relação a isso, nada melhor do que ver o video de apresentação da equipa através do link que vos deixo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=9o-aN2x6pgw&feature=player_embedded

p.s. - Se mesmo assim, depois disto, ainda não ganhei o direito a ter uma medalha do "clube dos duros e masoquistas de Portugal", então já não sei mais que faça...

Um abraço.

A.Neves

terça-feira, 26 de outubro de 2010

UM CARRO...DE ENTRE MUITOS.

Se, de entre todos os carros de rali que já tive, tivesse de eleger um, então seria seguramente o Hyundai Coupe Kit Car com que corri no Open de ralis em 2009, durante a fase de asfalto.
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Fabuloso! É a unica palavra que me ocorre para o descrever. Um verdadeiro puro sangue de corridas. Basta dizer que era um ex. carro de fábrica, construído com tudo o que havia de bom e de melhor na época.
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Um chassis completamente alucinante, uns travões inexplicáveis em potência e eficácia, uma caixa de velocidades sequencial de 6 que era um regalo (quando funcionava bem. No Fundão partiu já no pódio final, depois de ter sido terceiro classificado, perdendo a segunda posição exactamente no último troço, devido já a inúmeros problemas em engrenar as mudanças) e um motor que, apesar de não ser um exemplo de potência, pois debitava "apenas" 215 cv no banco, satisfazia bastante bem, e era um regalo para os ouvidos (e para a adrenalina) quando começava a "gritar" e a chegar ao limite da rotação lá para as oito mil e tal...
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Foi um carro que me permitiu atacar sempre as primeiras posições á geral e lutar pela vitória na classe das provas em que participei nesse ano, embora tenha sido também um carro que me deixou algum amargo de boca e que denotou, infelizmente, alguns problemas de fiabilidade que, em determinada altura me obrigaram a procurar-lhe um outro dono, pois para além da escassez de material e do seu custo, era também um carro que exigia conhecimentos técnicos bastante avançados, com a agravante de não haver disponível muita informação acerca do caminho que a fábrica seguia em relação a determinados parâmetros e afinações.
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Mas apesar de tudo isto, e de ter apanhado uma das maiores desilusões desportivas da minha carreira, quando o motor se partiu na parte final da última especial cronometrada do Rali de Barcelos, onde apesar de ter conseguido passar a célula e "terminar" em segundo da geral e primeiro da classe, fiquei na ligação para o parque fechado, impotente e sem conseguir terminar uma das provas onde andei melhor até hoje, é ao seu volante que guardo das melhores sensações que já tive dentro de um carro de corridas. E que carro de corridas!!!
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Podem ter a certeza de que, se um dia voltar a ter a possibilidade (€€€) de ter algo parecido, que me dê garantias de fiabilidade, nem vou olhar para trás, pois o gozo que dá e as sensações que transmite, são algo que vale realmente a pena e que aconselho vivamente a todos os "viciados" em motores e adrenalina. Não há melhor terapia!
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Um abraço.
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A.Neves
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videos:
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http://www.youtube.com/watch?v=U4-iYbA7ehI (Teste para o AutoSport)
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http://www.youtube.com/watch?v=ZGCRRZfndtc&feature=related (min. 0,32)
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

JÁ A PENSAR EM 2011.

2011 já começou!

O planeamento para a nova época está feito, e todos os projectos entregues e apresentados aos nossos (futuros?) parceiros. A partir de agora, resta-nos trabalhar ao máximo e esperar que no final tudo avance conforme o planeado.

Para o próximo ano, a aposta da nossa equipa passa por disputar o campeonato Open de ralis ao volante do Mitsubishi Evo 7, um carro que seguramente nos permitirá continuar a lutar pelos primeiros lugares.
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Uma vez mais, o nosso parceiro de longa data, a ROADY, irá estar ao nosso lado como sponsor principal de todo o projecto, e acreditamos que a ele, outros se irão juntar, aproveitando assim de forma positiva toda a sinergía que a equipa consegue gerar com o público em geral, os meios de comunicação, e ainda, alguns agentes económicos.
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Depois de muitos anos a trabalhar juntos, o núcleo duro da equipa continuará a ser formado por gente bastante profissional, que se conhece bastante bem, e que partilha os mesmos objectivos, pelo que, é com enorme expectativa que aguardamos um feedback positivo ao projecto que apresentámos, de modo a que possamos começar a ultimar os pormenores para o novo ano com a maior brevidade possível. Eu pela minha parte estou ansioso.
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Um abraço.
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A.Neves

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

FOTOS RALI DE SERPA.

- A nossa assistência num momento de descanso :-) .
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- Filipe "McGyver" Serra no seu melhor.
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- A nossa assistência em grande actividade.
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- O Filipe a guardar os cavalos, ainda assim...
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- Apesar de ser a "brincar", ainda deu para transpirar.
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- A zona de assistência. 5*****
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As fotos são da autoria do meu amigo Adérito (Paulino) .
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Um abraço.
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A.Neves

sábado, 25 de setembro de 2010

SERPA - TERRA FORTE!

Foi com enorme prazer que estive em Serpa. Uma terra de gente boa e bons amigos.

A prova foi encarada com bastante descontracção, uma vez que não era o nosso campeonato e a nossa função era a de colaborar com a organização, mas nem por isso deixámos de andar depressa, testar algumas coisas e dar o máximo de espectáculo para o muito público presente.

O rali iniciou-se no sábado á noite com uma super-especial em asfalto, muito bem desenhada por sinal, nas ruas de Serpa. Diversas passagens pela rotunda, dois ganchos e algumas chicanes proporcionaram um bom espectáculo e momentos de grande prazer e condução.

No Domingo, a organização preparou uma dupla passagem por 2 troços bastante interessantes. O primeiro com algumas lombas e ganchos de grande condução, que tinha nos ultimos 4 ou 5 kms uma zona rapidissima e de grande coração. Já o segundo troço, era todo ele bastante encadeado e com bastante condução, sendo dos dois o meu preferido.

O piso estava excelente, pois foi acondicionado antes do rali, e a zona de assistência era um autêntico luxo, uma vez que se situava numa das principais avenidas da cidade, existindo bastantes arvores que proporcionavam uma agradável sombra nesta dia solarengo.

Foi um fim de semana diferente e muito bem passado, onde apesar de tudo, continuámos a promover o nosso projecto e todos os nossos parceiros, o que para nós é sempre o mais importante. A nossa assistência de ocasião também esteve em grande plano :-), e de cada vez que o Evo por lá passava, saía que parecia novo, pois a Dora (minha mulher) e a Silvia (mulher do Filipe), puxavam-lhe o lustro cá com uma vontade que nem vos conto.

Por último só me resta agradecer ao meu amigo Zé Augusto o convite que nos fez e toda a ajuda que nos deu para estarmos presentes, bem como ao meu amigo Pedro Charneca a disponibilidade em perder um dia para andar com o carro ás costas a caminho de Serpa. Pela minha parte, contem comigo sempre que precisarem, pois dias assim são sempre um prazer.

Um abraço.

A.Neves

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A PRIMEIRA VEZ.

Porque para tudo há sempre uma primeira vez, e também porque é algo que já me apetecia fazer há algum tempo, no próximo fim de semana aí vamos nós a caminho de Serpa para, a gentil convite da organização, ir abrir esta prova do campeonato regional de ralis Sul, como carro 0.

É com enorme satisfação que irei a Serpa, em 1º lugar porque vamos estar entre amigos, e isso é sempre um prazer, depois, porque vai ser um fim de semana mais tranquilo que o normal e onde vamos fazer o "gosto ao dedo" sem a pressão habitual que sentimos nas provas do campeonato, e finalmente, porque vamos continuar a divulgar os nossos parceiros, em companhia da nossa familia e amigos num ambiente descontraido e onde iremos seguramente desfrutar de outra maneira, dos encantos desta simpática cidade Alentejana.

Assim sendo, até Sábado á noite, nas ruas de Serpa, onde se irá iniciar o rali com uma agradável especial nocturna, que se espera, venha a ser invadida por milhares de espectadores.

Um abraço.

A.Neves

ps: Aqui fica um pequeno registo de uma passagem ao volante do evo, junto á minha casa, em Benavila, quase três meses após o ter conduzido pela última vez, aquando do Rali de Portugal:

Já tinha saudades...



segunda-feira, 23 de agosto de 2010

DE 1989 A 2002 - ANOS LOUCOS!!!

Pois é ... , parece que foi ontem mas já lá vão quase dez anos desde que me deixei das motas.

Uiiiiiiiiiii, que saudades!

Para começar, tinha dez anos a menos, algo que, convenhamos, não é nada de menosprezar, ainda para mais numa altura em que vou entrar na geração dos "entas", e depois, porque ... , bem ... , porque foram na realidade anos loucos e de autêntica loucura!

A bem dizer, acho que já nasci com o "bicho" das corridas dentro de mim. A minha Mãe, meio a brincar, meio a sério, costuma dizer que se lembrou de aprender a andar de bicicleta quando estava grávida de mim, podendo estar aí a explicação para tal facto, e em relação ao meu Pai, ainda hoje alguns amigos falam dos seus feitos destemidos, ao guiador de uma AJS ou de uma Royal Enfield, já lá vão mais de cinquenta anos.
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Assim sendo, se calhar é algo que me está nos genes, tendo-se manifestando primeiramente "em versão duas rodas", e tal como já aqui disse algumas vezes, foi tudo uma questão de esforço, empenho e perseverança para conseguir alcançar o sonho. Ainda para mais há vinte e tal anos atrás, numa altura em que não havia nada como há hoje, e onde para se fazer algo ou encontrar as coisas mais banais era necessário um verdadeiro filme, e a três dimensões. Algo simples como uma corrente, uma cremalheira, pneus ou equipamento, eram verdadeiramente dificeis de encontrar, levando a que nós, os pilotos da altura, fossemos muito poupadinhos e preocupados com o material. Pois não, xiça!

Mas adiante ... , foram grandes tempos, onde estruturas verdadeiramente caseiras e constituidas na sua maioria por curiosos e amigos, fizeram maravilhas, levando o conceito de sonho a uma outra dimensão e possibilitando a que se tenha chegado a este nível de evolução e semi-profissionalismo onde temos que estar hoje, se ambicionamos chegar a algum lado.

Tudo começou em 1989 com a participação na Baja Portalegre 500, quando esta prova ainda era só para duros. Nesse ano, sairam mais de 300 motas para pista, atingindo o final apenas 60, sendo um deles, precisamente aqui o vosso escriba.

Creio que a partir dessa altura, todos aqueles que me eram próximos e que podiam de alguma forma duvidar do meu empenho, tiveram aqui a resposta de que esta seria uma viagem longa e para fazer até ao fim.

A partir desse dia as coisas foram acontecendo e a estrutura foi-se tornando cada vez mais séria. Já há data, a nossa grande preocupação eram os nossos parceiros e a forma como conseguiríamos gerar o máximo de retorno para todos, e ao fim de todo este tempo, é com grande orgulho e satisfação que vos digo que quase todos continuam a ser grandes amigos meus, e alguns inclusive, ainda hoje me continuam a acompanhar como parceiros.

Ao longo de todos esses anos consegui várias vitórias e pódios, alguns deles em provas internacionais, o título de vice-campeão Nacional de enduro e ainda uma participação no campeonato do Mundo de enduro envergando as cores da selecção Nacional, mas o que na realidade me fica na memória é a forma como se arriscava o corpo em cada prova, partindo ao assalto do cronómetro como se não houvesse amanhã.
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Tenho plena consciência daquilo que arrisquei, e dos riscos exagerados que corri, em busca de algo que não consigo descrever por palavras e que possivelmente muito pouca gente entenderá, mas também é verdade que nunca, até hoje, me senti tão vivo como durante toda essa época.
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Há coisas que na realidade não têm explicação, e que nem mesmo nós conseguimos entender, mas a verdade é que, no período após um grave acidente numa das últimas provas que disputei, em 2001, e onde fui obrigado a ficar em casa durante bastante tempo, em recuperação e recebendo os cuidados diários de um enfermeiro, foi precisamente a altura onde notei essa sensação com maior intensidade;- Ali estava eu, na cama, com o corpo que mais parecia um pano bordado em ponto cruz, a cabeça do tamanho de uma bola de basket e com o sangue a ferver dentro de mim e a sentir-me "vivinho da silva" como nunca. Vá-se lá entender isto...
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Concordo inteiramente com o escritor Paulo Coelho, quando ele diz que, o que nos impele a fazer determinadas coisas, é na realidade sermos dos poucos animais que temos a noção daquilo que nos pode acontecer e dos riscos que corremos, mas que, é na verdade a consciência disso mesmo, que nos leva no final, a sentir uma intensa euforia, um prazer imenso de viver e a querer alcançar determinadas metas e objectivos.
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Apesar disso tudo, chega uma altura em que a nossa consciência também nos deve dar um sinal de quando devemos parar e de quando é chegado o momento de virar a página de forma consciente e sem estar a desafiar a lógica do Universo, e foi exactamente o que aconteceu comigo.
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Desse período, ficam grandes recordações, muitas saudades e alguma nostalgia, daquilo, que a mim já me parece que aconteceu num outro tempo e numa outra vida.
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Enfim ... , ANOS LOUCOS!!!
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Um abraço.
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A.Neves

sábado, 14 de agosto de 2010

ESTA DEPRESSÃO QUE ME ANIMA...

Já lá vão 2 meses e meio desde que segurei no volante pela última vez ...

Após a ausência no Rali dos Açores e da Madeira, e com as perspectivas para o resto do campeonato ainda muito incertas, esta música define com exactidão o meu estado de espirito;

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Um abraço.
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A.Neves

sexta-feira, 23 de julho de 2010

ESTOU TRISTE!

Estou triste, porque no passado fim de semana se disputou o Rali dos Açores e nós ficámos em casa.

Estou triste porque fiquei sentado em frente do computador a acompanhar o desenrolar da prova e a ver-nos perder posições no campeonato, sem nada podermos fazer.
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Estou triste porque o orçamento é curto e não podemos defender a nossa posição na estrada, indo a todas as provas do campeonato.
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Estou triste porque uma vez mais não dependemos apenas de nós para alcançar os nossos objectivos.

Estou triste, porque ao fim de tantos anos, continuamos a lutar com armas desiguais.

Estou triste porque ... bem ... porque ás vezes também tenho o direito de estar triste, não?

Um abraço.
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A.Neves

domingo, 27 de junho de 2010

PILOTO E CO-PILOTO - UM CASAMENTO PERFEITO.

Para mim, em equipa que funcione bem dentro do carro, e fora dele também, acrescento, não se mexe mais. Caso seja possível, é um casamento para a vida sem direito a divórcio.

Os ralis, são um desporto de equipa, uma vez que dependemos todos do trabalho uns dos outros para alcançar o sucesso, mas grande parte desse sucesso começa na forma como piloto e co-piloto se "entendem" dentro e fora do carro.

No meu caso e do Filipe, existe uma confiança absoluta um no outro, adquirida ao longo dos anos em que fazemos ralis juntos, para além de uma sólida amizade para lá da competição, o que também é importante, pois existem casos, como por exemplo no Rally de Portugal, em que passamos muito tempo juntos e em situações de grande tensão, pelo que, se não existir um conhecimento profundo e uma boa amizade, há situações que se podem tornar um problema de difícil resolução, podendo mesmo vir a criar atritos e diferenças profundas em torno de toda a equipa.

Neste momento, posso dizer com toda a certeza, que o Filipe adivinha os meus pensamentos e antecipa as minhas reacções dentro do carro, sem que falemos sequer um com o outro. Para além disso, conhece-me bastante bem e sabe a minha opinião sem que para isso seja necessário perguntar-me o que quer que seja, o que muitas vezes é meio caminho andado para que o ambiente se mantenha sereno entre a equipa. Quanto a mim, na maioria das vezes nem preciso sequer de olhar para ele, para saber aquilo em que está a pensar em relação a determinada situação que se nos depara.

Aceito que os pilotos nem sempre são pessoas fáceis durante as corridas, uma vez que a pressão que têm sobre os ombros é enorme, com um sem número de "coisas" á volta na sua cabeça; A gestão da corrida versus resultados versus patrocinadores versus orçamento versus gerir a mecânica do carro versus terem consciência de que um bom ou mau resultado poderá ou não condicionar a próxima época, etc, etc, etc..., e por isso mesmo é importante que o co-piloto entenda na perfeição o que vai na cabeça do "seu" piloto e possa assumir o controle quando a situação assim o exije, resguardando-o ao máximo de todo e qualquer "barulho" exterior, que de alguma forma possa afectar a sua performance durante o rali.

Acerca de tudo isto, não resisto uma vez mais a citar uma passagem do livro "Pilote et Co-pilote de Rallye", onde Gérald Bedon, o co-piloto de Cédric Robert diz o seguinte: - "...Cédric sofre, também, uma pressão terrível e eu penso que o piloto está menos preparado para responder com calma a todas estas solicitações. Então, aqui o meu papel é acalmar as coisas, ajudar a ultrapassar as divergências, arredondar os ângulos, por forma a que ele esteja com o espirito tranquilo e tenha o espaço necessário que necessita para se concentrar e partir assim á procura do limite em cada especial..." e continua "...o ambiente á volta do piloto deve ser o mais descontraído possível, qualquer agressão a partir do exterior será imediatamente rechassada. Felizmente, tenho alguma facilidade para antecipar qualquer problema, dar um passo atrás, analisar as situações mais complicadas com calma e determinação. Cada membro da equipa deve conhecer o seu lugar e saber a altura própria e a quem deve colocar determinada questão. Quanto ao piloto, deve ser mantido longe deste jogo, pois deverá concentrar toda a sua energia na batalha que se aproxima com as armadilhas do percurso." Nem mais!

Quanto a nós, para a posteridade ficam os momentos inolvidáveis passados dentro do carro, momentos esses apenas descritíveis por emoções e não por palavras, bem como os troços onde tudo foi perfeito e quase que fomos transportados para uma outra dimensão. Também é verdade que os ralis têm momentos menos bons, fruto da sua imprevisibilidade, mas é nestes momentos que uma verdadeira equipa se mantém unida e concentra todos os seus esforços para minimizar os danos e para continuar a avançar rumo aos seus objectivos.

Ao longo destes 5 anos, posso dizer que, eu e o Filipe já chegámos a um patamar de entendimento bastante elevado e formamos sem sombra de dúvida uma verdadeira equipa de piloto e co-piloto de ralis, embora tenhamos consciência de que, ainda temos muito trabalho pela frente no sentido de nos aperfeiçoarmos cada vez mais e podermos assim estar cada vez mais preparados para superar as dificuldades que ainda nos esperam rumo aos nossos objectivos, embora, ao olharmos para trás, nos sintamos felizes por tudo aquilo que já alcançámos e pelas conquistas importantes que já fizemos.

Um abraço.

A.Neves

quarta-feira, 16 de junho de 2010

RALLY DE PORTUGAL - PARTE 3.

Então vamos lá a acabar isto...

Sexta-feira, o dia 1. Depois de uma ligação de cerca de 80 kms, eis-nos no inicio de Sta Clara, ritmo moderado, nada de arriscar nem partir o carro, pois os troços estão duríssimos e muito massacrantes, e como tal há que esquecer os tempos dos nossos colegas e fazermos a nossa prova sem nos preocuparmos com mais nada á nossa volta. Não vamos seguramente retirar muito prazer da condução nem nos vamos divertir muito ao volante, mas á ralis em que a táctica tem que ser esta.

O 1º troço já está, vamos agora para Ourique, um troço sempre espectacular, mas que este ano está particularmente duro. Tudo normal até cerca de 7 ou 8 kms do final, quando começo a notar que nas curvas para a esquerda, a traseira se está a passar mais do que é normal. Percebi logo que vínhamos furados, mas como estávamos quase no final e os pneus são "tipo ferro", resolvi não dizer nada ao Filipe para não o alarmar e continuar assim, na esperança que desse para chegar até ao final. Infelizmente uns 2 kms mais á frente, começámos a ouvir um enorme barulho que vinha da roda de trás do lado direito e nada a fazer, tínhamos mesmo que parar a meio do troço.

Vejam lá bem, que num rali desta dimensão e com centenas de kms de troços e inúmeros postos de controlo, assim que parámos o carro e saímos para mudar a roda, a primeira pessoa que apareceu á nossa frente foi o pai do Filipe, o TóZé, que estava responsável por aquela zona. Ele há coisas...

Assim que tirámos a roda, vimos imediatamente que não tinha sido um furo, mas sim a jante que não tinha aguentado a dureza do piso e se tinha partido. Faltava-lhe um bom palmo, bolas!
Roda mudada e aí vamos nós até ao fim. Mais um troço concluido apesar deste problema. Ainda é cedo e a procissão vai no adro, e o importante é ir resistindo até ao final.

Silves não nos traz chatices de maior, e depois de uma ida á assistência, a 2ª ronda pelos mesmos 3 troços corre-nos normalmente e sem qualquer tipo de problemas. Estava feito o 1º dia.

No 2º dia, esperava-nos uma passagem dupla por Almodovar, Vascão e S. Brás, troços que se previam muito duros e demolidores.

Almodovar e Vascão estavam para lá de duros, pois existiam sitios em que a preocupação não era propriamente conduzir, mas sim desviar o carro das pedras e dos buracos existentes, tal era degradação do piso. Já S.Brás, apesar de também não estar fácil, era um troço em que o carro não sofria tanto, pois apesar de degradado, o piso já apresentava outras caracteristicas. Nova ida á assistência a meio do rali, para depois cumprirmos mais uma passagem por estes mesmos troços durante a tarde, e lá se passou mais um dia.

É verdade que estamos a andar a 50% daquilo que poderíamos fazer, mas até a data nem um parafuso se desapertou no carro, e eu continuo a achar que num rali com estas caracteristicas, pode-se perder mais do que aquilo que se ganha, e apesar de saber também que é mais motivador para toda a gente quando se anda a fundo e na disputa de posições, estou plenamente convencido, e o nosso Director Desportivo também, que esta é a táctica mais correcta a aplicar nesta altura. Assim sendo, falta um dia para o final e há que trazer a "burra" inteira e sem mazelas até ao fim.

No Domingo levantamo-nos bem cedo para sairmos para o último dia cerca das 7,20h da manhã, numa passagem pelo troços de Felizes e Loulé e também para a SS final no estádio do Algarve.

Felizes, uma loucura de troço, aquele onde o ano passado o Latvala teve aquele acidente terrível. E Loulé, possívelmente a especial mais espectacular de todo o rali. Felizmente que o piso, apesar de continuar duro, não está tão massacrante como nos 2 primeiros dias, e aparte alguma atenção extra que teremos que ter com a gasolina, uma vez que iremos fazer cerca de 160 kms sem reabastecer, este prevê-se um dia calmo e sem grandes problemas.

Depois da 1ª ronda habitual e da ida á assistência, última passagem por Felizes sem problemas, e na última passagem por Loulé, logo na parte inicial, deparámo-nos com o Nuno Barroso Pereira capotado, felizmente sem consequências fisicas para ele ou para o navegador. Troço neutralizado e depois do carro ter sido retirado, feito em ligação até ao final. Estava feito o rali. Agora era só a SS do estádio e pronto.

No final, penso que o balanço desta prova tem que ser positivo, embora eu não consiga descodificar e relatar com clareza aquilo que me vai na alma.
Cumprimos os objectivos da equipa e continuamos na 2ª posição do campeonato de Gr.N e no 5º posto absoluto do CPR, algo absolutamnte impensável no começo do ano, mas apesar de tudo, não posso dizer que estou completamente satisfeito. Tenho um "leve" amargo de boca que não sei explicar. Em parte é por saber que não temos condições para ir aos Açores e á Madeira defender esta classificação, ficando assim dependentes de resultados de terceiros, quando este poderia ser um bom ano em termos de campeonato, e por outro lado é por ter a sensação de que, por vezes, mesmo quem está mais próximo não compreende algumas das minhas decisões tomadas em prol da equipa.

Ás vezes, quem está á volta não entende que os objectvos da equipa estão acima dos objectivos do indivíduo. Eu próprio, tenho alturas onde não me apetecia ser tão calculista e gostava de andar com outro á vontade e sem qualquer tipo de pressão que não fosse a procura pura da performance, mas á momentos em que isso não é possível. Os ralis são um desporto de equipa, onde dependemos dos nossos patrocinadores e amigos que nos ajudam, e a não ser que sejamos ricos e façamos aquilo que nos dá na "real gana", não nos preocupando com nada nem com ninguém, o que não é aqui o caso, temos sempre que procurar dignificar ao máximo quem nos apoia, e a melhor forma de o fazer é terminando corridas e acabando os campeonatos em posições honrosas, pois só assim é possível que tudo possa ter uma continuidade e que continuem a confiar em nós para fazer este trabalho.

Eu sei que podia ter andado muito mais depressa no Rally de Portugal deste ano, mas será que os riscos iriam compensar aquilo que se poderia perder? Tenho a certeza que não. Ao fim destes 3 dias o carro está inteiro e não tivemos um único problema de mecânica. Poupámos o carro ao máximo para as 3 últimas provas de asfalto que nos faltam disputar e onde poderemos ainda aspirar a uma boa classificação no campeonato. Não temos nenhum cheque em branco, e por isso mesmo, há opções e decisões que têm que ser tomadas.

Quanto a algum amargo de boca, nada que não se resolva com uma chiclete de mentol...

Não posso terminar sem agradecer uma vez mais a todos os patrocinadores que tornam tudo isto possível; Grupo os Mosqueteiros (Roady, InterMarché, BricoMarché), SPO-Kumho Tyres, Garvetur, Franke, Pimensor, J.Silva, Petroltorres, Branco e Martinho e Speeddesign.

Uma palavra para a nossa assistência que esteve ao mais alto nível; o Zé, o Rosalino, o Gonçalo, o Manel e o Armando. Sempre ouvi dizer que, quem vai para o mar se avia em terra, e foi isso mesmo que o Zé fez na preparação do carro na sua oficina, pois durante a prova não se desapertou um único parafuso e não tivemos o minimo problema. 5 estrelas.

Ainda um agradecimento muito especial ao Ricardo Teodósio e ao Luis Mota.

Por fim, um abraço para o meu navegador, o Filipe, pela semana de alta tensão que passou comigo no Algarve.

A todos o meu muito obrigado.

Um abraço.

A.Neves